segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Atentada Tradução IV: Blaise Pascal

pra Raquel Rios
Pensées
(frag. 47 Lafuma)
« Nous ne nous tenons jamais au temps présent. Nous anticipons l’avenir comme trop lent à venir, comme pour hâter son cours, ou nous rappelons le passé pour l’arrêter comme trop prompt, si imprudents que nous errons dans les temps qui ne sont point nôtres et ne pensons point au seul qui nous appartient, et si vains que nous songeons à ceux qui ne sont rien, et échappons sans réflexion le seul qui subsiste. C’est que le présent d’ordinaire nous blesse. Nous le cachons à notre vue parce qu’il nous afflige, et s’il nous est agréable nous regrettons de le voir échapper. Nous tâchons de le soutenir par l’avenir et pensons à disposer les choses qui ne sont pas en notre puissance pour un temps où nous n’avons aucune assurance d’arriver. Que chacun examine ses pensées, il les trouvera toutes occupées au passé ou à l’avenir. Nous ne pensons presque point au présent, et si nous y pensons, ce n’est que pour en prendre la lumière pour disposer de l’avenir. Le présent n’est jamais notre fin. Le passé et le présent sont nos moyens, le seul avenir est notre fin. Ainsi nous ne vivons jamais, mais nous espérons de vivre, et nous disposant toujours à être heureux, il est inévitable que nous ne le soyons jamais. »
Pensamentos
(frag. 47 Lafuma)
Nós jamais nos atemos ao tempo presente. Antecipamos o futuro como se fosse demasiado lento para chegar, como para apressar seu curso, ou recordamos o passado para fixá-lo como se fosse demasiado veloz; muito imprudentes, erramos nos tempos que não são nossos e não pensamos no único que nos pertence; muito vãos, aspiramos àqueles que não são nada e deixamos escapar sem reflexão o único que subsiste. É que o presente normalmente nos fere. Nós o ocultamos de nossa vista porque nos aflige e, se ele nos é agradável, lamentamos vê-lo escapar. Buscamos mantê-lo no futuro e pensamos em preparar as coisas que não estão em nosso poder para um tempo ao qual não temos nenhuma garantia de chegar. Que cada um examine seus pensamentos: ele os encontrará todos ocupados com o passado ou o futuro. Quase não pensamos no presente e, se nele pensamos, é apenas para lançar-lhe luz para preparar o futuro. O presente jamais é o nosso fim. O passado e o presente são nossos meios, só o futuro é nosso fim. Assim nós jamais vivemos, mas esperamos viver e, preparando-nos para ser felizes, é inevitável que jamais o sejamos.

2 comentários:

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  2. Centauro,assim que o li, veio-me uma música, que já não sei mais de quem é, ou quem cantava:..."ó meu amigo, meu herói, ó como dói saber que a ti também corrói, a dor..." Mas ao mesmo tempo é bom poder compartilhar a dor. Saudades de suas palavras...como vai a vida no sertão, afora isso, de o presente nos escapar a todo momento, afora a solidão em meio aos outros tantos, afora a saudade dos que lhe são queridos, "afora isso ía indo, atravessando, seguindo, sosinho pra capital, nem chorando nem sorrindo, sosinho pra capital", essa eu sei que é do Caetano. Corre o risco de desatar a sangria de palavras e muito te alugar, mas estou quase muito cansada e hoje é quase amanhã, por isso,adeus menino. Abraço, Rios

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